Do presente indefinido
vejo cinco caminhos que voltam
pro que talvez tenha sido
quinze que (me) partem e escondem
me escoltam
quem sabe onde
Vou vivendo do que fui e ninguém soube
do vasto vazio imenso em que nada coube
me alimento do que mastigo sem engolir
no momento desprovido de porvir
quantas vezes morri onde faltou a memória
Black and Blue
Pensamentos desconexos unidos em prol da futura nostalgia
Segunda-feira, Fevereiro 13, 2012
Domingo, Fevereiro 12, 2012
Segunda-feira, Janeiro 02, 2012
Recuo de bateria
fiz-me passageiro desse corpo
recuado do pára-brisa
estou atento a todo movimento
aproveitando o ponto oco no peito
sem vento
meus dedos de dentro batem
tum durum dum dum
na caixa de ressonância
o ritmo
não alcança a distância lá de fora
ainda assim
minhas mãos de autômato espalham adubo para sonhos
recuado do pára-brisa
estou atento a todo movimento
aproveitando o ponto oco no peito
sem vento
meus dedos de dentro batem
tum durum dum dum
na caixa de ressonância
o ritmo
não alcança a distância lá de fora
ainda assim
minhas mãos de autômato espalham adubo para sonhos
Quinta-feira, Dezembro 22, 2011
Passageira
quando passa,
a repulsa passa
ternura
sentimento que enlaça
e perjura
o delicado da tua certeza
despeço a teu mando
não passo do estelionato
dos teus hormônios
vai passar
e, enquanto é posta a mesa,
seguirei dançando
ao som das solas dos sapatos
dos meus demônios
até passar
a repulsa passa
ternura
sentimento que enlaça
e perjura
o delicado da tua certeza
despeço a teu mando
não passo do estelionato
dos teus hormônios
vai passar
e, enquanto é posta a mesa,
seguirei dançando
ao som das solas dos sapatos
dos meus demônios
até passar
Segunda-feira, Dezembro 19, 2011
Em meio à areia
Na areia não cresce nada
é fácil viver no clima seco
a principal conclusão é ser prático:
faça o que quiser nessa temporada
na areia não cresce nada
mas veio água e a visão
de um rio límpido em meu caminho
e canais por onde a água corre para nutrir
os jardins onde finalmente
encontraria uma morte doce
para meus sonhos de semente
pateticamente hesito a germinar
mas te peço
me espere só mais um pouco, riozinho
se a fragilidade da vida respeito
agora pelo menos sei
que ainda bate algo no peito
é fácil viver no clima seco
a principal conclusão é ser prático:
faça o que quiser nessa temporada
na areia não cresce nada
mas veio água e a visão
de um rio límpido em meu caminho
e canais por onde a água corre para nutrir
os jardins onde finalmente
encontraria uma morte doce
para meus sonhos de semente
pateticamente hesito a germinar
mas te peço
me espere só mais um pouco, riozinho
se a fragilidade da vida respeito
agora pelo menos sei
que ainda bate algo no peito
Sexta-feira, Dezembro 16, 2011
Harpoon
I thrust my mind into your barrier of darkness
obsessively trying to bridge
the gap
the thoughts I throw to you go ashore
over and over
deflected by a shadow,
I can barely feel you
submerging
If only I could have you plunge
into my own void of oblivion
I'd be satisfied to be adrift in these black waters
obsessively trying to bridge
the gap
the thoughts I throw to you go ashore
over and over
deflected by a shadow,
I can barely feel you
submerging
If only I could have you plunge
into my own void of oblivion
I'd be satisfied to be adrift in these black waters
Quarta-feira, Dezembro 14, 2011
Desengano
Romper o dia da vida
espairado na desinquietude
da aceleração do tempo
ao lado todo mundo morre
com a pressa celebram bodas
vai aonde essa corrida?
à maior ilusão de todas
espairado na desinquietude
da aceleração do tempo
ao lado todo mundo morre
com a pressa celebram bodas
vai aonde essa corrida?
à maior ilusão de todas
Segunda-feira, Dezembro 12, 2011
Entorse
Saltando ao alto iluminado
largando ou recolhendo
os sonhos do ar gelado
ao meu peito
rarefeito
esforço
só quando me faço sólido ao solo
aterrisso, torço
em atropelo
tornando ao zelo
largando ou recolhendo
os sonhos do ar gelado
ao meu peito
rarefeito
esforço
só quando me faço sólido ao solo
aterrisso, torço
em atropelo
tornando ao zelo
Quinta-feira, Novembro 24, 2011
Noite em fuga
Daqui do lugar errado
imagino que possas sentir
Hoje meus pensamentos
de tanto ocuparem-se contigo
projetam-se na noite,
manipulam o ar em tua direção
Sonho a concomitância
induzida ou fortuita
enquanto a noite foge de mim
É tanto aperto que tento
vasculhar a poeira dos mendigos
passos teus pela noite,
mas se fecham em vazio as mãos
Trai-me meu sonho, e a distância
já não me importa ser muita
enquanto a noite foge de mim
imagino que possas sentir
Hoje meus pensamentos
de tanto ocuparem-se contigo
projetam-se na noite,
manipulam o ar em tua direção
Sonho a concomitância
induzida ou fortuita
enquanto a noite foge de mim
É tanto aperto que tento
vasculhar a poeira dos mendigos
passos teus pela noite,
mas se fecham em vazio as mãos
Trai-me meu sonho, e a distância
já não me importa ser muita
enquanto a noite foge de mim
Quarta-feira, Outubro 12, 2011
Termite
Libera essa matéria
a madeira no fogo nem sente
do corpo pra mente
no brilho a alumínio
aqui se transfigura
todo desígnio
a madeira no fogo nem sente
do corpo pra mente
no brilho a alumínio
aqui se transfigura
todo desígnio
Sexta-feira, Setembro 02, 2011
Trança-pé
Na rua escura
o homem anda em
direção a seu destino
(Em que noite
nosso destino
não é decidido?)
eis que braço torcido
do solo ereto
vinga
a cicatriz de concreto
e ferindo o chão
aufere
tropeço também é ação
o homem anda em
direção a seu destino
(Em que noite
nosso destino
não é decidido?)
eis que braço torcido
do solo ereto
vinga
a cicatriz de concreto
e ferindo o chão
aufere
tropeço também é ação
Quarta-feira, Agosto 31, 2011
Por sonhos maiores que a noite
O fio da aurora dura só mais um passo
tece-se a última dança
na sombra
aquece-se o ar,
e a noite vai acabar
se vem a luz,
faltará veneno
para viver nesse mundo pequeno
quero mais nada a não ser respirar
por esses desejos de fumaça
Vencerei esse sol árido
que não há de brilhar hoje
até que os sonhos cheguem ao fim
Por uma ilusão completa em mim
tece-se a última dança
na sombra
aquece-se o ar,
e a noite vai acabar
se vem a luz,
faltará veneno
para viver nesse mundo pequeno
quero mais nada a não ser respirar
por esses desejos de fumaça
Vencerei esse sol árido
que não há de brilhar hoje
até que os sonhos cheguem ao fim
Por uma ilusão completa em mim
Quarta-feira, Agosto 10, 2011
Noite letrada
Abandona as vias cifradas e numeradas
Buscando novos códigos feito caça ao tesouro
Pelos parquinhos de flores negras
Pelos caminhos desprotegidos da noite aberta
Exposto aos raios, aos botes de estranhos
Aos potes e a banhos, aos corpos tacanhos
À psicologia oculta dos rebanhos
Brasília cidade
metrada e vadia
Vai da aritmética à poesia
Brasília, 15/10/2008
Buscando novos códigos feito caça ao tesouro
Pelos parquinhos de flores negras
Pelos caminhos desprotegidos da noite aberta
Exposto aos raios, aos botes de estranhos
Aos potes e a banhos, aos corpos tacanhos
À psicologia oculta dos rebanhos
Brasília cidade
metrada e vadia
Vai da aritmética à poesia
Brasília, 15/10/2008
Playtime
No pingue-pongue do peito
acreditando não acreditando
coração dança
aproveito
alma balança vem com efeito
devolvo a vida vai com força
vida avança
enquanto espreito
esperança no meu leito
no ziguezague do fogo
ainda ganho
do meu jeito
acreditando não acreditando
coração dança
aproveito
alma balança vem com efeito
devolvo a vida vai com força
vida avança
enquanto espreito
esperança no meu leito
no ziguezague do fogo
ainda ganho
do meu jeito
Quinta-feira, Julho 14, 2011
Negra rosa
Ao lado da parede do fundo da escuridão
onde só me alcança o vento
de dentro
No canto mais isolado da noite, impublicado
Há algo que alimento
E lá escorrego
escondo e rego
uma nesga de sentimento
onde só me alcança o vento
de dentro
No canto mais isolado da noite, impublicado
Há algo que alimento
E lá escorrego
escondo e rego
uma nesga de sentimento
Segunda-feira, Julho 11, 2011
Vazante
de repente a compressão no coração cheio
água vai transbordar
se a alma inunda
escorre mágoa
calma imunda sai
tudo sai nesses dois rios
pode parecer injusto
finda a correnteza
o povo migrante
mas pode esperar
nos leitos sombrios
depois da vazante
algo se move
afinal ano que vem
dizem que chove
água vai transbordar
se a alma inunda
escorre mágoa
calma imunda sai
tudo sai nesses dois rios
pode parecer injusto
finda a correnteza
o povo migrante
mas pode esperar
nos leitos sombrios
depois da vazante
algo se move
afinal ano que vem
dizem que chove
Quarta-feira, Julho 06, 2011
Bússola
Andando pelo deserto onde moro
perdido nas dunas do pensamento
de tão sério,
deslizo no desejo
estéril
sigo inerte caravanas de sede
migro buscando a terra
onde se age e erra
perdido nas dunas do pensamento
de tão sério,
deslizo no desejo
estéril
sigo inerte caravanas de sede
migro buscando a terra
onde se age e erra
Sexta-feira, Junho 24, 2011
Electro-pompe
Vedado do mundo
com meus desejos de escuro
(-ou meus escuros de desejo?)
eis que sinto o ebulir nos caldeirões de feitiço da alma
Isolado com meu bálsamo noturno
escuto a voz, rítmica e baixa
novamente canta algo essa caixa
bomba alimentadora
submersa no mangue
do meu sangue
com meus desejos de escuro
(-ou meus escuros de desejo?)
eis que sinto o ebulir nos caldeirões de feitiço da alma
Isolado com meu bálsamo noturno
escuto a voz, rítmica e baixa
novamente canta algo essa caixa
bomba alimentadora
submersa no mangue
do meu sangue
Segunda-feira, Maio 16, 2011
Pangeia
sentado na beira da terra
balanço as pernas
no cais aéreo
espero a nave que me fará atravessar
essa água a impor
tanto
delimita amor
e pranto
onde está o fim desse mar
que vela para que os continentes continuem assim, separados?
mantém-me longe da minha vida
onde quer que ela resida
balanço as pernas
no cais aéreo
espero a nave que me fará atravessar
essa água a impor
tanto
delimita amor
e pranto
onde está o fim desse mar
que vela para que os continentes continuem assim, separados?
mantém-me longe da minha vida
onde quer que ela resida
Sexta-feira, Abril 29, 2011
Ventania
Papelzinho decola no frio
doce voo sem asas
seu corpo solto
não pensa, só sente
a suspensa corrente
na brisa envolto
acaricia a cidade
desafia
a grave idade
seu destino fatal
chega mais rápido que ar
da noite de Dacar
doce voo sem asas
seu corpo solto
não pensa, só sente
a suspensa corrente
na brisa envolto
acaricia a cidade
desafia
a grave idade
seu destino fatal
chega mais rápido que ar
da noite de Dacar
Quinta-feira, Abril 21, 2011
Infecção
a hiperemia do meu peito
me toma o respeito
madrugada
se queima assim não vai restar nada
cresce em mim como um edema
poema que pune
meu sistema imune
Inspeto a pira, tá certo
inspira,
inseto
me toma o respeito
madrugada
se queima assim não vai restar nada
cresce em mim como um edema
poema que pune
meu sistema imune
Inspeto a pira, tá certo
inspira,
inseto
Sábado, Abril 09, 2011
Febre
Dança em delírio a madrugada
esse tempo de tudo e de nada
cintila e incendeia a calma que havia
Retornarei numa manhã fria,
mas a normalidade morna, apagada,
derreterá os cristais que levo em meus olhos
esse tempo de tudo e de nada
cintila e incendeia a calma que havia
Retornarei numa manhã fria,
mas a normalidade morna, apagada,
derreterá os cristais que levo em meus olhos
Segunda-feira, Março 07, 2011
Senciência
às vezes me pergunto
por que tanto me espalho por aí
ando o mundo inteiro atrás de um sentimento que já tive
tentando descolar a consciência de mim
... hoje acordei querendo ser enganado.
às vezes me pergunto
no que é que me espelho por aí
no vento, no vento,
não ser e estar,
ser e não ficar
se de verdade estou onde queria estar e faço
o que queria fazer,
com razão,
eu só queria mais coração
por que tanto me espalho por aí
ando o mundo inteiro atrás de um sentimento que já tive
tentando descolar a consciência de mim
... hoje acordei querendo ser enganado.
às vezes me pergunto
no que é que me espelho por aí
no vento, no vento,
não ser e estar,
ser e não ficar
se de verdade estou onde queria estar e faço
o que queria fazer,
com razão,
eu só queria mais coração
Assinar:
Postagens (Atom)